sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nem toda garota



Nem toda garota passa 24 horas por dia chorando ou sorrindo. Não são todas que gostam de caras fortes, malhados, brutos e também não são todas que gostam dos fofinhos, românticos e colírios. Algumas preferem falar mais e ouvir menos. Outras só observam. A minoria ou talvez a maioria prefira assistir filme em casa do que ir à um cinema, ou vice-versa; garotas nem sempre falam por falar… Ou melhor, garotas nunca falam por falar. O sorriso esconde tantas formas de irônizar, amar, cuidar, querer, invejar… Eu normalmente sorrio quando vejo tudo o que alguém tem nos braços e que deveria ser meu. É um sorriso que conspira uma saudade. Mas nem todas as garotas são assim. Algumas não se abalam, só levantam a cabeça. Outras caem em meio a solidão. Mas toda garota supera, toda garota chora, toda garota brinca, toda garota quer, toda garota ama. 
Eu sei disso e você também!!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada
 
Martha Medeiros

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Solidão

Solidão...
não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo...

Isto é carência!

Solidão...
não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos
que não podem mais voltar...

Isto é saudade!

Solidão...
não é o retiro voluntário que a gente se impõe,
às vezes, para realinhar os pensamentos...

Isto é equilíbrio!

Solidão...
não é o claustro involuntário
que o destino nos impõe compulsoriamente...

Isto é um princípio da natureza!

Solidão...
não é o vazio de gente ao nosso lado...

Isto é circunstância!  

Solidão é muito mais do que isto...
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão pela nossa alma.
 

Chico Buarque

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011


Eu decidi, desde muito cedo, apenas aceitar a vida incondicionalmente. Eu nunca esperei que ela fizesse nada especial por mim, apesar de eu conseguir alcançar muito mais do que cheguei a imaginar. Na maioria das vezes essas coisas só aconteceram sem que eu procurasse por elas.   

(Audrey Hepburn)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Desconstruções

Quando a gente conhece uma pessoa, construímos uma imagem dela. Esta imagem tem a ver com o que ela é de verdade, tem a ver com as nossas expectativas e tem muito a ver com o que ela "vende" de si mesma. É pelo resultado disso tudo que nos apaixonamos. Se esta pessoa for bem parecida com a imagem que projetou em nós, desfazer-se deste amor, mais tarde, não será tão penoso. Restará a saudade, talvez uma pequena mágoa, mas nada que resista por muito tempo. No final, sobreviverão as boas lembranças. Mas se esta pessoa "inventou" um personagem e você caiu na arapuca, aí, somado à dor da separação, virá um processo mais lento e sofrido: a de desconstrução daquela pessoa que você achou que era real.
Desconstruindo Flávia, desconstruindo Gilson, desconstruindo Marcelo. Milhares de pessoas estão vivendo seus dias aparentemente numa boa, mas por dentro estão desconstruindo ilusões, tudo porque se apaixonaram por uma fraude, não por alguém autêntico. Ok, é natural que, numa aproximação, a gente "venda" mais nossas qualidades que defeitos. Ninguém vai iniciar uma história dizendo: muito prazer, eu sou arrogante, preguiçoso e cleptomaníaco. Nada disso, é a hora de fazer charme. Mas isso é no começo. Uma vez o romance engatado, aí as defesas são postas de lado e a gente mostra quem realmente é, nossas gracinhas e nossas imperfeições. Isso se formos honestos. Os desonestos do amor são aqueles que fabricam idéias e atitudes, até que um dia cansam da brincadeira, deixam cair a máscara e o outro fica ali, atônito.
Quem se apaixonou por um falsário, tem que desconstruí-lo para se desapaixonar. É um sufoco. Exige que você reconheça que foi seduzido por uma fantasia, que você é capaz de se deixar confundir, que o seu desejo de amar é mais forte do que sua astúcia. Significa encarar que alguém por quem você dedicou um sentimento nobre e verdadeiro não chegou a existir, tudo não passou de uma representação – e olha, talvez até não tenha sido por mal, pode ser que esta pessoa nem conheça a si mesma, por isso ela se inventa.
A gente resiste muito a aceitar que alguém que amamos não é, e nem nunca foi, especial. Que sorte quando a gente sabe com quem está lidando: mesmo que venha a desamá-lo um dia, tudo o que foi construído se manterá de pé.